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quinta-feira, 20 de abril de 2017

A educação de 3 filhos... By Carolina




Educamos os filhos todos da mesma forma?

Durante vários anos acreditei que sim, que dava a mesma educação a cada um dos meus 3 filhos. Hoje eu penso de forma diferente. Sem complexos nem culpas. tranquilamente, percebo que sigo os mesmos princípios educativos, mas que há todo um mundo que separa a maneira como os aplico com cada um deles.

Com o passar dos anos e o acumular das dúvidas acerca das minhas habilidades enquanto mãe, eu percebi que sou diferente com cada filho:
         - Com o primeiro, eu sou muito ansiosa, demasiado exigente - Não desligo um só segundo, presto atenção a tudo o que ele faz, não consigo ser flexível nem descontraída. Levo tudo ao extremo;
         - Com o segundo, eu sou mais tranquila, mais eu própria, mais segura de mim e muito mais moderada - Consigo colocar tudo em perspectiva, sou mais tolerante e ignoro o que nem deve ser notado;
         - Com o terceiro, eu sou mais permissiva, muito descontraída - Nem reparo numa série de coisas que ele faz, acho que ele tem tempo para crescer  e deixo que ele seja o eterno bebé da família.

Apesar de ter consciência que tenho um padrão de comportamento próprio com cada filho, a minha natureza leva-me a repetir as minhas tendências e a exagerar sempre na mesma direção. Porquê? Será o amor que sinto pelos 3 assim tão diferente? Será possível amar mais um filho do que outro?

Eu amo os 3 como um só, amo cada um deles como se não tivesse mais nenhum. Esta é uma das poucas certezas que tenho nesta vida! Eles são únicos, tenho três filhos únicos. Eles são completamente diferentes uns dos outros, por isso eu também tenho de ser diferente enquanto mãe! Amo-os profundamente, nas qualidades que admiro em cada um, mas também na frustração com os defeitos que mais me incomodam e de que nenhum está isento.

Educo de maneira diferente porque vou treinando a arte de ser mãe com eles, com a experiência que eles me vão proporcionando. Não há cursos, livros, workshops que ensinem aquilo que a experiência me permite aprender. Aprende-se sendo. Contudo, o amor é um só. Que renasce e se renova de cada vez que experimento amar mais um filho.


Carolina

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Quem sou eu agora?... By Carolina


E, de repente, os filhos crescem, começam a precisar de mim de outra forma e... Tenho de me reinventar... Redescobrir o meu lugar, repensar o meu papel... E agora, o que fazer? Onde me posicionar nesta nova equação? Como manter a minha identidade? Quem sou eu agora?

Ao longo dos anos fui aprendendo a conviver com um Eu menos convencional, aprendi que o meu papel enquanto mulher que não trabalha fora de casa é precisamente o de quem mantém a harmonia, a família unida, de quem permite que os filhos se desenvolvam sem restrições. Aprendi a viver numa sombra que afinal até é poderosa. Descobri o meu precioso valor ao possibilitar a todos os elementos da minha família a estabilidade e a segurança tantas vezes ameaçadas pelas constantes mudanças que fazemos. Fui eu quem manteve o barco, quem transformou a turbulência em suave transição. Hoje sei e estou segura da importância que tive na manutenção do bem-estar de todos (incluindo o meu).

Mas os tempos estão a mudar, os filhos a crescer e a autonomizarem-se. É meu dever tornar-me cada vez mais invisível, desnecessária, ser o tal elemento a mais. E esse é precisamente o meu problema pessoal neste momento. A felicidade e o bem-estar dos meus filhos exige-me um novo questionar sobre a minha identidade. Nos últimos 10 anos substitui a minha identidade profissional pela profissão-missão de mãe a tempo inteiro. E exatamente para cumprir esse desígnio, na atualidade, tenho de reduzir o meu horário e não sei o que fazer... Uma vez mais nesta aventura que em sido a minha vida...

Como conciliar a alegria de ver os meus filhos a crescer e a não precisarem de mim, com a minha necessidade pessoal de ser imprescindível? Como lidar com esta ambivalência de quereres? Como me ocupar para além da minha família? Acredito que outras mães vivam este dilema, mas sendo uma mulher apátrida e sem profissão reconhecida, o sentido da minha vida não pode estar indissociado da constância da mudança que me tem impedido de ter sonhos apenas meus... Quem serei eu daqui em diante? Qual o meu valor? Qual o sentido da minha vida?

Carolina


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Lugares do coração... By Carolina

In "Dilemas Femininos", pág. 152

Onde fica o lugar do meu coração? De todos os sítios onde vivi, em qual é que eu voltaria a viver? Qual é o lugar eleito do meu coração? O que torna um espaço comum e incógnito em algo especial e tão pessoal?

Percebi logo na minha segunda expatriação que a magia dos lugares está intimamente ligada às vivências significativas que lá passamos, está relacionada com a nossa história de vida. É o nosso coração que empresta significado aos espaços. Somos nós que permitimos que eles nos sejam significativos, que os tornamos “nossos”.

Não há um lugar do (meu) coração. Há lugares do (meu) coração. Todos eles são importantes, todos eles são especiais, em todos eles vivi momentos e experiências que me agarram à vida e às pessoas com quem partilho a minha existência. Foram descobertas, aventuras, desafios, dificuldades e obstáculos que fomos superando. Eu e a minha família. Esses lugares, junto com os sítios que visitei, fazem um pouco parte de mim porque eu lhes dei também uma parte de mim quando por lá passei e nunca mais me serão indiferentes.

E onde fica a minha cidade natal nesta equação sentimental? Será que perdeu importância na imensidão das minhas experiências? Poderá continuar a competir com a riqueza e grandiosidade que encontrei depois? A minha cidade natal fica lá bem no centro de tudo, no meio de mim. Ela é a minha base, a minha origem, a minha raiz. O principio de tudo. E foi o afastamento que lhe deu ainda mais destaque e fundamento. Por muito que eu viva, com ou sem diversidade, mais ou menos intensamente, nunca me poderei afastar de mim: do todo que sou com o que acrescento e do todo que fui no ponto de partida.

Carolina


segunda-feira, 4 de julho de 2016

As dúvidas do amor... By Carolina


Quanto vale o amor? O que fazemos em nome do amor? Valerá tudo por amor? Seremos nós coerentes quando falamos de amor ou do que fazemos sob a sua alçada? Quantas vezes mudamos por causa do amor?... Mais, quantas vezes o amor nos faz mudar sem que disso tenhamos consciência?

O que estamos dispostos a fazer em nome do amor? E bastará o amor para se viver e seguir em frente? Quantas teorias e certezas abandonamos ao longo do nosso percurso por causa desta emoção? E será assim tão mau ou tão errado mudar? Haverá um caminho certo, uma resposta adequada? O que será mais importante, a coerência ou o amor? Qual dos dois será mais defensável?

Emoção e razão, aparentemente não são conciliáveis, mas... Será sempre assim? Poderemos defender a emoção e os seus efeitos nas relações privadas e criticar a emoção em contexto laboral? Porque será que quase todos aprovamos a força da emoção nas relações interpessoais e atacamos veemente a mesma emoção no domínio laboral? Ou confundimos emoção com "simpatias", "tendências"? Será positiva a emoção no trabalho? Será possível esta clivagem? Seremos nós coerentes em termos de emoções seja em que contexto for?

... Porque falamos COM amor, não temos certezas... somente colocamos dúvidas e interrogações. Talvez o falar DE amor permita aceder a teorias comprovadas...


Carolina

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Amolecemos com os anos?... By Carolina



Choro com facilidade. Felizmente, choro mais de alegria, de comoção com situações que me enternecem do que por tristeza. Estarei mais sensível? É que as lágrimas parecem estar sempre prestes a saltar! O que mudou em mim? Sempre fui tão controlada e racional. O que é que mudou?

Outro dia, num almoço de confraternização, assisti a um homem na casa dos 50 ficar com a voz embargada no meio do seu discurso aparentemente simples e pacífico. Pensei logo no meu caso. Depois pensei que a emoção não é exclusiva da mulher, como tendenciosamente teimamos em acreditar. Os homens também sentem, também têm emoções, também choram e, alguns, não se envergonham de o fazer. Refleti ainda: “-Terá a ver com a idade?

Pensando em mim, acho que foram as experiências de vida que me moldaram. A pessoa que sou hoje é seguramente diferente da menina ou da jovem adulta que fui. Já ultrapassei situações difíceis, já vivi experiências fabulosas, já tive muitas dúvidas e inseguranças, já dei provas do meu carácter, já me arrependi... Já vivi muito e tenho Fé de que ainda tenho muito mais para viver. Talvez por isso eu seja mais emotiva hoje em dia, exponha mais o que sinto e me deixe envolver pela emoção do momento.

Amolecemos com a idade? Acredito que isso dependa do uso que conseguimos fazer dos nossos anos de vida. Haverá  quem se defenda dos males interiores e que crie uma carapaça e outros haverá que se tornam mais permeáveis ao exterior e que revelam com facilidade sentimentos e emoções... Porque as vidas não são todas iguais, se calhar, nem todos amolecemos com os anos. Ou estarei a divagar?


Carolina