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quinta-feira, 10 de março de 2016

Perspectivas do Fim… By Luisinha



O fim. O que significa? Será bom ou mau? Terá que ter um significado absoluto?

Habituamo-nos a olhar para o lado negativo da palavra. Quase sem darmos por isso associamos o fim a algo mau, a evitar. O fim de um relacionamento, o fim de uma amizade, o fim de uma vida, o fim de projeto, o fim de um contrato, o fim de uma carreira, o fim... Visto de uma perspectiva negativa, a palavra representa o término de algo que deveria continuar, significa o ponto final no lugar errado, a interrupção, o inacabado. Mas será sempre assim?

O fim pode traduzir a alegria da conclusão de um projeto que se perpetua no tempo sob uma outra perspectiva. A felicidade do fim de uma gravidez que culmina no nascimento de um novo ser. O regozijo com o fim de uma obra que se traduz numa nova forma de produzir. O fim de uma leitura que nos transforma e, deste modo, se perpetua para além do livro em si. O fim pode ser uma mera etapa num horizonte muito mais vasto. O fim pode ser também a continuação, a renovação.

Há ainda o fim como término de algo concreto e absoluto – mas, um fim, ainda assim positivo - se significar o cumprimento de objectivos, de intenções, de sonhos. A sensação de dever cumprido. O atleta que chega ao fim da competição e atinge a meta a que se propôs. O funcionário que conclui um trabalho, cumprindo os objectivos e os prazos. O indivíduo que recupera a sua saúde e assiste ao desejado fim da doença.

A questão prende-se então mais com o enquadramento do que com a palavra. Será negativo se representar a conclusão de algo inacabado. Será positivo se mostrar o culminar de um caminho onde se alcançou a meta.

Devemos assim desejar concluir os nossos sonhos, os nossos projetos, os nossos caminhos. Para olharmos de frente para a palavra Fim e sorrirmos plenamente.

Luisinha


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Aprender a largar... By Luisinha



Trabalhei muito. Trabalho muito. A minha vida são os meus projetos, as minhas obras. Algures lá atrás, já fui mais completa, mais diversificada, mas quis o destino que eu perdesse outros focos de interesse... e concentrei-me exclusivamente no trabalho. Hoje, eu sou a fundação que criei e a fundação é a minha imagem.

Até quando, começo a questionar-me? Quando será a altura de preparar a minha sucessão, de deixar a obra prosseguir e ganhar outros alicerces?

Sinto-me dividida entre o que sei ser o mais acertado e o impulso do momento. Continuo a pensar que tenho as soluções e, nos momentos-chave, não consigo abdicar de as apresentar... Quero que a obra sobreviva para além de mim, mas não consigo deixar de ser eu a decidir. Como aceitar que “o meu projeto” siga outro rumo? Como continuar presente e simultaneamente começar a largar? Qual será o meu maior dilema: o risco do futuro institucional sem mim ou o risco do futuro pessoal sem o institucional?

Dizem que “amar é também aprender a largar”. Serei eu capaz de amar à distância, de deixar ir para longe de mim?


Luisinha


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Objetivos em vez de sonhos – Luisinha


Os sonhos das pessoas?!

Eu prefiro falar em objetivos: objetivos de vida, objetivos nos projetos, objetivos no relacionamento, objetivos nas atitudes, objetivos. São mais exequíveis e apontam para a proatividade. Se eu definir objetivos para mim, sei que devo procurar uma direção e que terei de fazer algo se o quiser concretizar. Eu tenho uma parte ativa, estou envolvida na história.

Os sonhos, a mim, fazem-me lembrar os filmes e os romances. Não os associo à vida real, ao dia-a-dia. A magia dos sonhos é pura fantasia, distancia-nos da realidade e frustra quem não consegue o tal final perfeito.

A vida é cheia de imperfeições, de incongruências, de lutas nem sempre ganhas. Eu acredito na batalha, no cair e voltar a andar, no acreditar que por vezes também resulta. É a responsabilidade pessoal no (de)curso da minha vida que me move e me dá forças. Por isso, não me falem em sonhos. Nem nos filmes os aprecio.

Eu voto nos objetivos. Nos meus objetivos.

Luisinha

terça-feira, 30 de junho de 2015

Acerca da fragilidade... By Luisinha


Cedo eu descobri que somos seres frágeis. Somos frágeis no equilíbrio. Somos frágeis no viver. Somos frágeis no estar. Somos frágeis no ter. O que é, rapidamente poderá deixar de ser... independentemente disso ser bom ou mau... Somos frágeis em tudo! Até nas nossas certezas.

Nada é certo, portanto. Muito menos garantido. O que fazer estão para lidar com a nossa fragilidade?... Com a incerteza?... Com toda a nossa impotência?

Podemos deixar-nos levar pela angustia avassaladora da insegurança. Viver no medo, preso ao pânico com o que podemos perder.

Ou podemos sempre ignorar esta certeza em torno da incerteza. E viver. Simplesmente viver. Sem mais nem porquê.

Esta é a minha escolha. A minha única escolha possível. E é a minha própria fragilidade...


Luisinha

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Particularidades que podem ser fragilidades: o alerta da Luisinha


Cara Alice,

Somos todos tão diferentes! Porque teimamos em querer-nos encaixar em categorias? Qual a vantagem, para além da ilusória aparência, de querermos anular o que nos é tão peculiar? Ou como referiam umas participantes neste espaço “esquecemo-nos que essas mesmas particularidades é que fazem o que somos, a nossa massa e essência”, sendo “a grande dificuldade fazê-lo sem desistir da nossa massa e essência”.

Comento os seus desabafos na qualidade de uma eterna outsider que sempre se sentiu algo à parte da maioria. Sempre fui diferente, não tanto na forma de me vestir ou nos bens materiais, mas na maneira de me relacionar com a vida, o trabalho, a sociedade. Não sei se tenho sido melhor ou pior do que os outros. Não sei se estarei certa ou errada nas minhas convicções. O que sei é que tentei sempre ser genuína comigo mesma e com os meus valores. E aí fui diferente da maioria, tenho a certeza.

Contudo, ao fim destes anos todos aprendi também que, por vezes, a diferença pode ser uma forma de manter a barreira entre mim e o outro. Há uma distância que se cria por se vestir ou relacionar de maneira diferente. Por vezes, a solidão resultante da extrema particularidade individual é um mecanismo de perpetuar os medos interiores sem ter de o assumir. Afasto o outro para não me expor, para ocultar uma fragilidade...

Fique atenta! Não misture a sua verdadeira individualidade com a aparência de um discurso em torno de vestimentas... Pode ofuscar a sua essência...


Luisinha